Evento Ipsos - Coração em Campo maio 11, 2026
O futuro das marcas não é mais barulho. É mais cuidado.
Vivemos a era do excesso. Excesso de conteúdo. Excesso de campanhas. Excesso de opiniões. Excesso de marcas disputando atenção ao mesmo tempo. Mas, talvez o maior erro do marketing contemporâneo seja acreditar que atenção significa conexão.
Não significa.
Uma marca pode viralizar e continuar irrelevante emocionalmente. Pode gerar milhões de visualizações e ainda assim não conquistar pertencimento. Pode estar em todos os lugares e continuar sem ocupar espaço real na vida das pessoas.
Foi justamente sobre isso que Lawren Alexander refletiu durante sua palestra no evento “Coração em Campo: paixão que conecta”, promovido pela Ipsos Brasil no Museu do Futebol, em São Paulo.
A apresentação trouxe uma discussão profunda sobre cultura, emoção, paixão, pertencimento e o papel das marcas em um cenário cada vez mais saturado de estímulos, mas carente de significado.
E talvez a principal provocação tenha sido esta: marcas não vivem em mercados. Marcas vivem em pessoas.
Paixão não é conteúdo. É identidade.
Em países como o Brasil, elementos como futebol, música, comida, celebrações e linguagem popular não são apenas entretenimento ou hábitos de consumo. Eles funcionam como âncoras de identidade. Carregam:
– memória
– emoção
– pertencimento
– orgulho
– história coletiva
O futebol, por exemplo, não representa apenas um esporte. Ele representa família, rivalidade, bairro, esperança, sofrimento, conversa de bar, grupos de WhatsApp e lembranças afetivas.
Quando marcas tratam isso apenas como mídia ou oportunidade de alcance, erram o ponto central da questão.
Porque as marcas não são donas dessas paixões. Elas apenas pegam emprestado o significado delas. E quando esse empréstimo acontece sem respeito, profundidade ou contexto cultural, a rejeição é imediata.
Cultura não pode ser emprestada superficialmente
Durante a palestra, Lawren Alexander trouxe uma reflexão importante: a cultura não pode ser apenas utilizada como estética ou tendência. Ela precisa ser compreendida.
Por muito tempo, marcas tentaram adaptar campanhas globais para contextos locais apenas traduzindo linguagem ou adicionando elementos visuais regionais. Hoje isso já não basta. Consumidores percebem rapidamente quando uma marca está apenas performando pertencimento.
Cultura exige fluência cultural:
- Entender nuances sociais
- Reconhecer símbolos emocionais
- Compreender códigos locais
- Respeitar histórias e contextos
Mais do que participar de conversas, marcas precisam entender o significado emocional delas.
Grandes momentos criam atenção. Micro-momentos criam conexão.
Grandes eventos esportivos criam atenção. Mas o verdadeiro significado acontece depois:
– na conversa após o jogo
– no vídeo compartilhado no grupo
– no debate entre amigos
– no meme
– na memória emocional construída coletivamente
As pessoas não vivem apenas os grandes eventos. Elas vivem os micro-momentos. E é nesses espaços íntimos que a lealdade emocional é construída.
O marketing atual ainda confunde alcance com impacto. Mas impacto real não acontece apenas no espetáculo. Ele acontece na continuidade emocional que sobra depois dele.
Pesquisa não é mais validação. É tradução.
Talvez uma das reflexões mais relevantes da palestra tenha sido sobre o novo papel da pesquisa e da inteligência estratégica. Hoje, dados não servem apenas para validar decisões. Servem para traduzir comportamento humano.
O trabalho de estrategistas, planners, pesquisadores e analistas se torna cada vez mais próximo da antropologia cultural.
Mais do que medir comportamento, precisamos interpretar significado. Isso muda completamente a lógica do branding contemporâneo.
Porque o futuro das marcas não depende apenas de tecnologia ou criatividade. Depende da capacidade de compreender pessoas com profundidade.
O futuro do branding é cuidado
As pessoas não esperam que marcas sejam humanas. Mas esperam que elas ajam com humanidade. Isso significa:
– escuta
– humildade
– consistência
– respeito
– presença genuína
Principalmente em ambientes movidos por paixão e identidade.
Talvez a melhor metáfora apresentada durante a palestra seja simples: marcas são convidadas na casa das pessoas. E bons convidados sabem ouvir antes de falar.
No fim, as marcas que permanecem não são necessariamente as mais barulhentas. São as que conseguem construir pertencimento. Porque o futuro do branding não é mais ruído. É mais cuidado.
Por que essa conversa importa para a midiaria.com?
A midiaria.com foi convidada para participar do evento justamente por acreditar que comunicação, branding e inteligência precisam ir além da performance e das métricas superficiais.
Em um cenário onde a inteligência artificial acelera produção, automação e escala, acreditamos que o verdadeiro diferencial das marcas estará cada vez mais na capacidade de interpretar comportamento humano, contexto cultural e emoções reais.
Mais do que produzir conteúdo, o desafio das marcas passa a ser compreender pessoas. É por isso que temas como:
– inteligência cultural
– comportamento
– pesquisa qualitativa
– escuta ativa
– construção de comunidade
– relevância emocional
fazem parte da forma como enxergamos estratégia e comunicação.
As provocações trazidas por Lawren Alexander reforçam algo que acreditamos profundamente: marcas fortes não são construídas apenas com presença. São construídas com significado.
E significado exige repertório, sensibilidade, contexto e cuidado.
