TendênciasSocial Media maio 22, 2025
Consumo de vídeo no Brasil
A Kantar IBOPE Media realizou um estudo para entender o comportamento do consumo de vídeos no Brasil. Um dos dados mais relevantes mostra que, em 2024, 99,54% da população brasileira foi impactada por conteúdo em vídeo.
O número confirma uma tendência que já vinha se consolidando nos últimos anos: o vídeo se tornou o principal formato de consumo de conteúdo. Seja por meio de plataformas de streaming, redes sociais ou aplicativos, o vídeo está presente na rotina da maioria das pessoas. Com esse crescimento, o desafio é entender o que está por trás dessa preferência e de que forma esse comportamento pode ser utilizado de modo estratégico por marcas, criadores e empresas.
O estudo também destaca uma mudança no modo como os vídeos são consumidos. O chamado co-viewing — quando duas ou mais pessoas assistem ao mesmo conteúdo juntas — tem se tornado uma prática comum. Essa experiência compartilhada acontece tanto no ambiente doméstico, com a família assistindo a uma série na TV, quanto nas redes sociais, onde amigos comentam vídeos ao mesmo tempo, mesmo que à distância.
Esse comportamento revela muito sobre o perfil coletivo do brasileiro, que costuma transformar o entretenimento em uma atividade social. Para quem trabalha com comunicação, marketing ou produção de conteúdo, observar essas transformações é essencial.
Mais do que acompanhar uma tendência, é preciso pensar estrategicamente. Entender o impacto do vídeo atualmente significa, também, entender como criar experiências mais significativas, que conversem com esse novo perfil de consumo. O vídeo não é apenas uma linguagem — é um meio de conexão.
Alcance e consumo de vídeo no Brasil
O consumo de conteúdos em vídeo no Brasil alcança números impressionantes. Já no primeiro dia após a publicação, esse formato atinge quase 64% da população. Em uma semana, o alcance sobe para 87,02% e, em um mês, chega a 94,41%. Esses dados mostram o poder de disseminação e o ritmo acelerado com que os vídeos se espalham, sendo consumidos de forma rápida e amplamente compartilhados.
Segundo a Kantar IBOPE Media, o tempo médio diário de consumo de vídeo no Brasil é de 5h17min assistindo à TV linear. Esse número é ainda maior em regiões metropolitanas como Rio de Janeiro (6h04min), São Paulo (5h39min) e Manaus (5h29min). Os dispositivos mais utilizados são a televisão e o smartphone, muitas vezes em uso simultâneo.
Esses dados não só reforçam a presença constante do vídeo na rotina das pessoas, como também indicam um cenário favorável para estratégias de comunicação. Diante desse contexto, uma pergunta se torna central: como o público se relaciona com a publicidade dentro desses canais? Esse é o próximo passo da análise — entender como o consumo intenso de vídeos influencia a receptividade e a eficácia das campanhas publicitárias.
Publicidade em vídeo e engajamento
Para quem deseja investir em publicidade em vídeo, o cenário é promissor. Conforme o estudo, 56% dos brasileiros conectados que assinam serviços de streaming aceitariam ver anúncios nas plataformas, desde que isso reduzisse o valor da assinatura. Esse percentual é superior ao de outros mercados, como Grã-Bretanha (53%), Argentina (48%) e Alemanha (44%).
Além disso, a aceitação da publicidade vai além das plataformas. Muitos consumidores notam produtos ou marcas exibidos em programas de TV e filmes, o que mostra uma atenção espontânea ao conteúdo publicitário integrado. Entre os que usam mais de uma tela — o que, como vimos, é a maioria — é comum procurar online aquilo que acabou de ver na tela principal.
Isso revela um comportamento de consumo ativo, em que a publicidade tem grande potencial de engajamento e conversão. O público não apenas assiste, mas interage e pesquisa, ampliando o impacto das campanhas.
Comportamento multitela e co-viewing
Duas características se destacam no consumo de vídeos no Brasil: o comportamento multitelas e o co-viewing. Assistir vídeos enquanto se utiliza outro dispositivo, como o celular, é algo comum entre os brasileiros. Esse hábito amplia as possibilidades de interação com o conteúdo, inclusive com a publicidade.
O co-viewing — assistir a vídeos acompanhados de outras pessoas, seja presencialmente ou à distância — também é bastante presente. Pelo menos 20% da população adota essa prática, independentemente da faixa etária. Isso reforça o caráter coletivo do consumo de vídeo no país e cria oportunidades para experiências compartilhadas, o que pode aumentar o alcance e o impacto das mensagens publicitárias veiculadas nesse formato.
E como podemos atingir melhor este público e produzir o conteúdo que mais o interessa? A solução é simples e envolve Inteligência Artificial (IA).
Tecnologia e personalização
A Inteligência artificial no marketing deixou de ser uma tendência futura — já é uma realidade presente. Quando usada com estratégia, torna-se uma aliada poderosa. A IA consegue processar grandes volumes de dados em alta velocidade, identificando padrões e preferências com precisão. Isso permite criar variações de conteúdo que se comunicam de forma mais eficiente com públicos específicos, gerando insights relevantes e decisões mais acertadas.
Essa capacidade ganha ainda mais força quando combinada com o crescimento da TV conectada (CTV) no Brasil, que aumentou 157% nos últimos nove anos. Essa evolução muda a lógica tradicional da publicidade televisiva. Antes, os anúncios eram pensados com base na programação e no perfil médio da audiência em determinados horários. Agora, o foco muda para o indivíduo.
Assim como acontece na internet, os comerciais exibidos em TVs conectadas podem ser personalizados com base nos hábitos de consumo, interesses e comportamentos de cada usuário. Isso representa uma mudança significativa na forma de produzir e veicular conteúdo publicitário para esse meio.
Com IA e dados bem utilizados, a publicidade em vídeo torna-se mais eficiente, relevante e capaz de gerar maior engajamento. O desafio está em usar essas ferramentas com critério, pensando sempre na experiência do consumidor.
Conclusão
O estudo realizado pela Kantar IBOPE Media nos traz insights importantes sobre o comportamento do consumidor brasileiro, como o alcance massivo e o consumo acelerado do conteúdo em vídeo, bem como a importância da multitela, do co-viewing e do uso estratégico de IA na personalização do conteúdo.
Com essas ferramentas e a alta aceitação de publicidade em conteúdos de vídeo, conseguimos ver como este formato precisa ser central em uma estratégia de marketing bem feita.



