Web Summit Rio 2026 junho 10, 2026
Web Summit Rio: o evento cresce, o Rio se posiciona e a tecnologia acelera o jogo
Durante o segundo dia do evento, o CEO e fundador do Web Summit, Paddy Cosgrave, e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, se encontraram com jornalistas para apresentar os números de crescimento do Web Summit Rio, perspectivas para o ecossistema de inovação da cidade e anúncios de investimentos em infraestrutura tecnológica.
A conversa com jornalistas trouxe um pouco de tudo, mas, mais do que uma sequência de dados, a coletiva ajudou a mostrar como o Rio tenta ocupar um espaço cada vez mais relevante no mapa global da tecnologia.
O Web Summit Rio ainda está ganhando corpo
O Web Summit Rio segue crescendo — e em um ritmo bem expressivo.
Durante a coletiva, Paddy Cosgrave destacou que a conferência vem avançando rapidamente desde sua primeira edição na cidade. Segundo ele, quando o evento chegou ao Rio há quatro anos, apenas algumas pessoas mais ousadas viajaram de lugares distantes para participar.
De lá para cá, a presença internacional cresceu bastante. O evento passou a atrair visitantes, investidores e empresas de diferentes partes do mundo, ampliando sua relevância no cenário global de inovação.
O crescimento anual ficou próximo de 23% a 24%, o que significa uma ampliação de quase um quarto em relação à edição anterior. Mesmo com mais público circulando, a organização afirmou que os desafios operacionais foram controlados e que os tempos de espera para entrar no local não passaram de 30 minutos.
“Começamos pequenos, crescemos muito rapidamente e esperamos continuar expandindo o evento, tanto em tamanho quanto em qualidade”, afirmou Cosgrave.
A China está olhando mais para o Brasil
Outro ponto que apareceu com força na coletiva foi o interesse crescente de investidores chineses pelo mercado brasileiro.
Cosgrave contou que se reuniu recentemente com o principal executivo de um dos maiores fundos de investimento em tecnologia da China. Segundo ele, existe um interesse forte em ampliar a presença de empresas chinesas no Brasil.
Na leitura do executivo, as relações econômicas e tecnológicas entre os dois países devem ganhar mais força nos próximos anos. E, nesse movimento, o Web Summit Rio aparece como uma possível porta de entrada para empresas que querem expandir suas operações na América Latina.
O papel dos parceiros locais também entrou na conversa
A coletiva também trouxe um reconhecimento importante aos parceiros locais que apoiaram o projeto desde sua chegada ao Rio de Janeiro.
Entre eles, o Senac foi citado como uma instituição fundamental para o desenvolvimento de talentos e a capacitação profissional, especialmente nas áreas de tecnologia e economia criativa.
O ponto é simples, mas importante: um ecossistema de inovação não cresce só com evento, palco e investimento. Ele também depende de gente preparada. Por isso, os organizadores reforçaram que o fortalecimento do capital humano é um dos pilares para o crescimento sustentável da inovação na cidade.
O Rio quer atrair talentos do mundo
Ao falar sobre o potencial do Rio de Janeiro e da América Latina no setor de tecnologia, Cosgrave destacou dois fatores que costumam pesar muito em qualquer ecossistema de inovação: formar talentos e atrair profissionais qualificados de outras regiões do mundo.
Segundo ele, a transformação nas relações de trabalho, impulsionada pelos modelos remoto e híbrido, abriu espaço para que empreendedores e executivos escolham viver em cidades que oferecem mais qualidade de vida.
Nesse ponto, Cosgrave comparou o momento do Rio ao que Lisboa viveu na última década. A capital portuguesa se transformou em um dos principais polos tecnológicos da Europa ao atrair profissionais altamente qualificados e empresas inovadoras.
Para ele, o Rio reúne características semelhantes e pode se beneficiar dessa tendência global nos próximos anos.
Um data center de US$ 500 milhões começa a sair do papel
Um dos anúncios mais relevantes da coletiva foi a confirmação do início dos investimentos para a construção de um grande centro de dados, ou data center, na cidade.
Segundo representantes da prefeitura, o projeto já conta com contratos assinados e os recursos iniciais já foram transferidos para dar início às obras.
O investimento está sendo estruturado por meio da Elea Data Centers, com recursos provenientes de um fundo de investimentos norte-americano sediado em Miami.
A primeira rodada de aportes soma aproximadamente US500 milhões,valor que será usado para iniciar a construção da infraestrutura. A expectativa é que o projeto chegue a cerca de US 500 milhões, valor que será usado para iniciar a construção da infraestrutura. A expectativa é que o projeto chegue a cerca de 1,6 bilhão em investimentos totais ao longo das próximas fases de desenvolvimento.
Durante a coletiva, os responsáveis pelo anúncio fizeram questão de reforçar que o projeto já saiu da fase de planejamento e entrou, de fato, em execução.
“Os contratos já foram assinados e os investimentos já foram transferidos. Estamos anunciando agora a primeira rodada de aproximadamente US$ 500 milhões para iniciar a construção do centro”, foi destacado durante a apresentação.
Segundo os organizadores, o projeto já havia sido apresentado publicamente há cerca de um ano. A diferença é que a edição deste ano do Web Summit marca o momento em que os investimentos começam efetivamente a chegar.
O novo data center é visto como uma peça estratégica para posicionar o Rio de Janeiro como um polo de infraestrutura digital, computação em nuvem e inteligência artificial na América Latina.
A inteligência artificial apareceu como pano de fundo de tudo
A inteligência artificial também esteve no centro das discussões da coletiva.
Foi citado um relatório recente da Anthropic indicando que aproximadamente 80% do código produzido pela empresa já conta com participação significativa de sistemas de IA.
O dado entrou na conversa como um exemplo da velocidade com que a tecnologia está mexendo com setores inteiros da economia. Também reforçou a importância de eventos como o Web Summit, que conectam empreendedores, investidores e especialistas envolvidos diretamente na construção desse futuro digital.
Um evento cada vez menos local
O Web Summit Rio está crescendo, mas talvez o ponto mais interessante seja o que esse crescimento representa.
Com avanço consistente, interesse maior de investidores internacionais, fortalecimento das relações com mercados estratégicos como a China e anúncios bilionários em infraestrutura tecnológica, o evento reforça sua posição como um dos principais encontros de inovação do hemisfério sul.
Ao mesmo tempo, o Rio de Janeiro tenta consolidar um lugar mais claro nessa conversa: não apenas como cidade-sede de um grande evento, mas como um hub de tecnologia e inovação para a América Latina.
No fim, a coletiva deixou essa impressão. O Web Summit Rio já não parece apenas um evento que acontece na cidade. Ele começa a funcionar também como uma vitrine do que o Rio quer ser dentro da economia digital.
