Web Summit Rio 2026 junho 11, 2026
IA, mineração e reciclagem: a corrida por metais críticos para sustentar a economia digital
Durante o primeiro dia do Web Summit Rio 2026, Mohammad Doostmohammadi, CEO da pH7 Technologies, trouxe para a conversa um ponto que nem sempre aparece quando falamos sobre inteligência artificial: antes de existir no software, a economia digital precisa existir na infraestrutura.
E essa infraestrutura depende de metais.
Segundo o palestrante, a demanda por cobre e outros minerais estratégicos vem crescendo rapidamente com a expansão da IA, da eletrificação, dos veículos elétricos, dos sistemas de armazenamento de energia e da modernização das redes elétricas. O problema é que os métodos tradicionais de mineração e processamento não estão conseguindo acompanhar esse ritmo.
A proposta apresentada pela pH7 Technologies passa pelo uso de processos de refino eletroquímico. Na prática, isso significa combinar eletricidade, química e ferramentas digitais para extrair metais de forma mais eficiente, seja a partir de resíduos industriais e materiais recicláveis, seja de minérios de baixa concentração que hoje ainda não são economicamente viáveis.
A inteligência artificial também entra como parte importante dessa equação
Sensores e sistemas digitais são usados para otimizar operações, reduzir o consumo de energia, aumentar a eficiência da extração e diminuir desperdícios.
Um dos principais pontos do painel foi justamente esse: a IA não existe sozinha. Ela depende de uma base física. Data centers, redes elétricas, baterias e sistemas de energia precisam de metais como cobre, lítio e outros minerais críticos para funcionar.
Mohammad defendeu que o setor precisa acelerar a adoção de novas tecnologias de mineração e reciclagem para responder à demanda global crescente. Segundo ele, a indústria mineral não passou por mudanças significativas em seus processos nas últimas décadas e precisa inovar para aumentar a produtividade, regionalizar a produção e tornar as cadeias de suprimento mais resilientes.
“A IA precisa de infraestrutura, e a infraestrutura precisa de metais.”
Essa foi uma das principais mensagens deixadas pelo painel. E talvez seja também um lembrete importante: por trás da promessa de uma economia cada vez mais digital, existe uma disputa bem concreta por materiais, energia e capacidade de produção.
Por que isso é importante para a midiaria.com?
Na midiaria.com, acreditamos que falar sobre inteligência artificial também exige olhar para aquilo que sustenta a tecnologia antes mesmo dela chegar às telas, aos sistemas e aos modelos digitais. A inovação não acontece apenas no campo das ideias ou do software. Ela depende de infraestrutura, energia, matéria-prima, cadeias produtivas e decisões capazes de conectar avanço tecnológico com responsabilidade econômica e ambiental.
A conversa trazida por Mohammad Doostmohammadi no Web Summit Rio 2026 reforça um ponto essencial para o futuro da comunicação, dos negócios e da tecnologia: toda transformação digital tem uma base material. Data centers, redes elétricas, baterias, dispositivos e sistemas inteligentes só existem porque há uma cadeia complexa de recursos, produção e distribuição por trás deles.
Para as marcas, esse debate amplia a forma como entendemos inovação. Não basta adotar inteligência artificial, falar sobre futuro ou acompanhar tendências tecnológicas. É preciso compreender os impactos reais que essas transformações geram nos territórios, nas indústrias, no meio ambiente e nas cadeias de valor que sustentam a economia digital.
Nesse contexto, mineração, reciclagem e novos processos industriais deixam de ser assuntos distantes do universo da tecnologia. Eles passam a ocupar um papel estratégico na construção de um futuro mais eficiente, resiliente e sustentável. Afinal, a próxima etapa da inovação dependerá não apenas de capacidade computacional, mas também da capacidade de usar melhor os recursos disponíveis.
Por isso, entendemos que essa conversa importa para quem trabalha com estratégia, comunicação e branding. Porque marcas relevantes precisam enxergar além da superfície das tendências. Precisam compreender o sistema inteiro: da promessa tecnológica ao impacto concreto, da inovação ao recurso, da escala ao cuidado.
Mais do que acelerar o futuro, o desafio agora é sustentá-lo. E sustentar a economia digital exige tecnologia, sim, mas também consciência, infraestrutura e responsabilidade.
