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Web Summit Rio 2026 junho 9, 2026

O primeiro dia do Web Summit Rio 2026 trouxe uma reflexão sobre IA: estamos ampliando o pensamento ou terceirizando ele?

Lucas Lima

Escrito por Lucas Lima

Tempo de leitura 4 min

O primeiro dia do Web Summit Rio 2026 trouxe uma reflexão sobre IA: estamos ampliando o pensamento ou terceirizando ele?

Ontem, no primeiro dia do Web Summit Rio 2026, acompanhamos dezenas de discussões sobre inteligência artificial, inovação e transformação digital.

Entre tantas demonstrações de tecnologia, anúncios e previsões sobre o futuro, uma fala do ator, escritor e apresentador Lázaro Ramos chamou atenção por abordar uma questão que vai além da tecnologia em si: qual é o papel do ser humano em um mundo cada vez mais automatizado?

Ao longo do painel, Lázaro trouxe reflexões sobre direitos de imagem, regulação da inteligência artificial, impactos no mercado de trabalho e os desafios que surgem quando a inovação avança mais rápido do que a capacidade da sociedade de se adaptar.

Um dos pontos centrais da conversa foi a relação entre autonomia e tecnologia.

Segundo ele, artistas, criadores e profissionais constroem ao longo da vida uma identidade baseada em escolhas: os projetos dos quais participam, os temas que defendem, o tipo de conteúdo que produzem e os valores que desejam transmitir. Com o avanço da IA generativa, surgem novas discussões sobre quem controla essa identidade e como direitos de imagem, voz e propriedade intelectual serão protegidos nos próximos anos.

Mas a reflexão foi além da indústria criativa.

Lázaro também destacou como a inteligência artificial já está acelerando atividades que antes exigiam horas — ou dias — de trabalho especializado. Processos como a criação de storyboards, pesquisas e materiais visuais podem ser executados em segundos por ferramentas que evoluem rapidamente.

A questão levantada não foi se essa transformação é boa ou ruim, mas sim se a sociedade está conseguindo acompanhar a velocidade dessa mudança?

Enquanto novas possibilidades surgem diariamente, profissionais, empresas e governos ainda buscam formas de se adaptar, criar regras e estabelecer limites para garantir que os benefícios da tecnologia sejam distribuídos de forma equilibrada.

Outro tema importante abordado durante o painel foi a necessidade de discutir responsabilidades em aplicações mais sensíveis da IA.

Lázaro citou situações envolvendo saúde mental e jovens que utilizam assistentes virtuais como companhia emocional. Para ele, existem cenários em que a tecnologia não pode operar sem mecanismos claros de proteção, supervisão e direcionamento para apoio humano quando necessário.

A discussão reforça um ponto que vem aparecendo em diferentes painéis do evento: inovação e responsabilidade precisam caminhar juntas. Mas talvez a parte mais interessante da conversa tenha surgido quando o debate chegou à educação e ao uso da tecnologia pelas novas gerações.

Ao compartilhar experiências com seus filhos, Lázaro contou que já viu exemplos positivos de crianças utilizando IA para criar formas mais criativas de estudar e aprender. Ao mesmo tempo, destacou um risco crescente: usar a tecnologia apenas para acelerar respostas, sem desenvolver reflexão, interpretação ou pensamento crítico.

Essa talvez seja uma das questões mais relevantes da atualidade.

A inteligência artificial está se tornando cada vez mais acessível. O acesso à tecnologia deixa de ser um diferencial. O verdadeiro diferencial passa a ser a forma como ela é utilizada.

  • Usar IA para ampliar conhecimento é diferente de usá-la para substituir o processo de aprendizagem.
  • Usar IA para potencializar a criatividade é diferente de abrir mão da própria criatividade.
  • Usar IA para ganhar eficiência é diferente de terceirizar completamente o pensamento.

Na midiaria, essa visão faz muito sentido.

Acompanhamos diariamente a evolução das ferramentas de inteligência artificial e acreditamos que elas representam uma das maiores oportunidades de transformação para empresas, profissionais e marcas.

Utilizamos IA em processos de pesquisa, análise de dados, planejamento, criação e inovação. Mas acreditamos que o valor real da tecnologia não está apenas na velocidade que ela entrega.

Está na capacidade de potencializar aquilo que continua sendo exclusivamente humano: repertório, contexto, senso crítico, criatividade, ética e visão estratégica.

O primeiro dia do Web Summit Rio 2026 deixou claro que o debate sobre inteligência artificial já não é mais sobre adoção. A tecnologia chegou!