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Web Summit Rio 2026 junho 11, 2026

Inteligência Artificial, Criatividade e o Futuro da Inovação, aliada a dados e decisões 

Tatiana Franco

Escrito por Tatiana Franco

Tempo de leitura 6 min

Inteligência Artificial, Criatividade e o Futuro da Inovação, aliada a dados e decisões 

Durante o Web Summit 2026, três grandes nomes do ecossistema de tecnologia e inovação discutiram como a Inteligência Artificial está transformando negócios, criando novas oportunidades para startups e redefinindo o futuro da computação.

O debate reuniu João Bortone, Managing Director da Intel para a América Latina, Joel Rodrigues, cientista, mentor e especialista em tecnologias emergentes, e Rafael Coimbra, jornalista, editor-chefe da MIT Technology Review Brasil, que mediou a conversa.

A evolução da nuvem para a Inteligência Artificial

Segundo João Bortone, a computação em nuvem foi uma das maiores transformações tecnológicas das últimas décadas.

A pandemia acelerou esse movimento de forma significativa. Empresas e consumidores passaram a depender ainda mais dos ambientes digitais, aumentando a necessidade de infraestrutura computacional escalável.

Sobre essa base construída pela nuvem surgiram as plataformas de Inteligência Artificial, inicialmente concentradas em grandes provedores globais. Agora, entretanto, um novo movimento começa a ganhar força: a descentralização da IA.

Hoje vocês podem ter suas próprias caixinhas de IA na mesa. Existe uma democratização que permite construir soluções próprias utilizando modelos abertos e tecnologias acessíveis”, destacou Bortone.

Essa mudança reduz barreiras de entrada e abre espaço para que startups criem soluções inovadoras sem precisar competir diretamente com gigantes do setor.

IA na ponta: dados e decisões mais próximos do usuário

Outro tema relevante foi o conceito de processamento “na ponta” (edge computing).

Em vez de concentrar todos os dados em grandes centros de processamento, a tendência é levar inteligência para mais perto dos usuários.

Um exemplo citado foi o de redes de atendimento e varejo. Não faz sentido uma unidade local armazenar ou processar informações de clientes de todo o país. O mais eficiente é utilizar dados relevantes para aquela região específica, permitindo decisões mais rápidas e experiências mais personalizadas.

Essa arquitetura reduz latência, melhora desempenho e amplia a capacidade de resposta dos sistemas inteligentes.

A nova geração da computação: CPU, GPU e NPU

Bortone também apresentou uma visão sobre o futuro do hardware.

Historicamente, a computação foi baseada nas CPUs (processadores centrais). Depois vieram as GPUs, fundamentais para processamento paralelo e aplicações de IA.

Agora surge uma terceira camada: as NPUs (Neural Processing Units), projetadas especificamente para executar tarefas de Inteligência Artificial com alta eficiência.

Segundo ele, o futuro aponta para a convergência dessas três arquiteturas em um único chip.

Essa integração permitirá que dispositivos do dia a dia — de smartphones a computadores pessoais — executem aplicações avançadas de IA localmente, aumentando desempenho, privacidade e autonomia.

Oportunidades para startups: não é preciso construir a próxima OpenAI

Em mensagem direcionada aos empreendedores presentes, imo executivo da Intel ressaltou que as startups não precisam necessariamente desenvolver modelos gigantescos de IA para gerar valor.

Na prática, as maiores oportunidades podem estar em soluções altamente especializadas.

Exemplos já existentes incluem:

  • Sistemas que auxiliam médicos na análise de radiografias;
  • Ferramentas para detecção precoce de doenças;
  • Plataformas de automação de marketing;
  • Agentes de IA especializados em tarefas específicas;
  • Soluções corporativas voltadas para produtividade e atendimento.

A gente nunca sabe onde estará a próxima OpenAI ou a próxima Perplexity. Cinco anos atrás ninguém imaginava a relevância que essas empresas teriam hoje.

“O hardware permite o software, mas o software permite criar.”

Ficou claro na discussão que o valor não está apenas na infraestrutura tecnológica, mas na capacidade de transformar essa infraestrutura em soluções úteis para pessoas e empresas.

É justamente nesse espaço que surgem as grandes oportunidades para empreendedores, desenvolvedores e criadores.

Criatividade: o diferencial em um mundo onde o conhecimento é acessível

Joel Rodrigues trouxe uma perspectiva complementar ao debate. Para ele, estamos vivendo um momento em que o conhecimento está amplamente disponível. Informações, ferramentas e tecnologias podem ser acessadas por praticamente qualquer pessoa conectada.

Nesse cenário, o diferencial deixa de ser apenas o acesso ao conhecimento e passa a ser a capacidade de utilizá-lo de forma criativa.

Eu vejo o diferencial na criatividade e na expansão desse talento humano.

Segundo Rodrigues, a inovação acontece quando conseguimos identificar problemas relevantes e aplicar novas tecnologias para resolvê-los de maneira eficiente.

Ele também destacou que os ciclos de inovação estão cada vez mais curtos, criando um ambiente repleto de oportunidades para quem consegue agir rapidamente.

IA como tecnologia de propósito geral

Ao encerrar o painel, Rafael Coimbra sintetizou uma das ideias centrais da discussão.

Mais do que uma ferramenta específica, a Inteligência Artificial pode ser entendida como uma tecnologia de propósito geral, semelhante ao impacto que tiveram a eletricidade, a internet e os computadores pessoais.

Isso significa que seu potencial não está restrito a um setor ou aplicação.

O painel deixou uma mensagem clara: estamos apenas no início de uma nova fase da transformação digital.

A combinação entre computação distribuída, Inteligência Artificial, novos chips especializados e criatividade humana está criando um ambiente fértil para inovação em escala global.

Como reforçaram os participantes, a tecnologia continuará avançando em ritmo acelerado. A grande oportunidade está em quem conseguir transformar esse avanço em valor para pessoas, empresas e para a sociedade.

Por que isso é importante para a midiaria.com?

Na midiaria.com, acreditamos que a Inteligência Artificial não deve ser vista apenas como uma nova ferramenta, mas como uma mudança estrutural na forma como empresas, marcas e pessoas criam, decidem e resolvem problemas. O avanço da IA, da computação distribuída e de novos modelos de hardware mostra que a inovação está se tornando mais acessível, mais próxima do usuário e mais conectada às necessidades reais do mercado.

Essa conversa importa porque reforça uma visão essencial para o futuro da comunicação e dos negócios: tecnologia gera valor quando encontra criatividade humana, contexto e aplicação prática. Mais do que acompanhar a evolução da IA, o desafio das marcas será entender como transformar esse potencial em soluções relevantes, experiências melhores e decisões mais inteligentes.

Para nós, o futuro da inovação não estará apenas em quem domina a tecnologia, mas em quem sabe usá-la com repertório, sensibilidade e propósito. Porque o diferencial não será somente acessar conhecimento, mas transformar conhecimento em impacto.

 

Crédito da foto: Web Summit Rio 2026