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AI Brasil Experience 2025 novembro 17, 2025

Sonhar, inovar e fazer acontecer: o que o Rock in Rio ensina sobre cultura e experiência

Nadia Zarour Barua

Escrito por Nadia Zarour Barua

Tempo de leitura 4 min

Sonhar, inovar e fazer acontecer: o que o Rock in Rio ensina sobre cultura e experiência

No AI Brasil Experience 2025, realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo, o CEO do Rock in Rio e da Rock World, Luis Justo, trouxe ao palco uma das palestras mais inspiradoras do evento. Com uma fala leve e provocativa, ele conectou a história de um dos maiores festivais de música do planeta ao tema central do encontro: inovação, propósito e o papel da experiência em tempos de transformação tecnológica.

Logo na abertura, Justo lembrou que a história do Rock in Rio nasceu de uma insatisfação. Em 1984, Roberto Medina, fundador do festival, cogitava deixar o Brasil diante da crise econômica e política da época, até ouvir da esposa uma provocação simples: “você vai sair do país sem ter feito nada para mudar o que está reclamando?”. Essa pergunta virou o gatilho para um sonho ousado, provar para o mundo que o Brasil era capaz de criar algo grandioso. Um ano depois, em 1985, o primeiro Rock in Rio reunia um milhão e meio de pessoas e artistas que nunca haviam se apresentado no país, como Queen, AC/DC e Iron Maiden.

A partir dessa história, Justo defendeu que a base de qualquer processo inovador é a cultura. Para ele, tecnologia sem propósito não cria valor, apenas ruído. “Não é sobre usar a ferramenta mais recente, é sobre entender o que faz sentido para a proposta de valor do seu negócio”, afirmou. Ao ingressar na Rock World, ele precisou descobrir o que, de fato, o público comprava quando adquiria um ingresso. A resposta veio de um teste empírico: o sucesso absoluto do Rock in Rio Card, vendido um ano antes do festival, sem line-up anunciado. “Ali entendemos que as pessoas não estavam comprando um show, mas uma experiência inesquecível”, contou.

A partir desse insight, o festival expandiu seu conceito para muito além da música. Surgiram arenas temáticas, cidades cenográficas, ativações de marca e ações de impacto social e ambiental. “Nosso produto não é o ingresso. Nosso negócio é proporcionar experiências que marcam para sempre”, disse Justo. A lógica também se aplica à tecnologia. Ele destacou que o Rock in Rio utiliza inteligência artificial, realidade aumentada, reconhecimento facial e até drones para aprimorar a jornada do público, mas tudo isso só faz sentido porque serve à proposta de valor do evento: gerar emoção e pertencimento.

Em uma fala repleta de paralelos entre cultura, negócios e comportamento, Justo abordou a diferença entre inovação por necessidade e inovação por propósito. A primeira, segundo ele, surge em momentos de crise; a segunda nasce quando há um ideal coletivo que inspira o time. Foi o caso da adoção dos ingressos digitais e das tecnologias de acessibilidade, como o colete sensorial para pessoas com deficiência auditiva sentirem o som das músicas. “Nem sempre você inova porque precisa. Às vezes, você inova porque acredita que pode fazer melhor”, afirmou.

Ele também falou sobre coragem, um valor essencial dentro da cultura Rock in Rio. Relembrou o episódio de 2017, quando o festival decidiu usar pela primeira vez um show de drones sincronizados. O investimento era alto e as condições climáticas podiam cancelar a apresentação a qualquer momento. Mesmo assim, a equipe seguiu em frente. “Coragem não é ausência de medo, é o triunfo sobre ele”, citou Justo, lembrando uma frase de Nelson Mandela.

Para ele, estamos vivendo a era da experiência, não apenas da inteligência artificial. O diferencial competitivo das empresas está em entender pessoas, não apenas processar dados. “A tecnologia é commodity. O que muda o jogo é o sonho. Quem ainda é capaz de sonhar e fazer acontecer, esse sim vai continuar relevante”, disse, ecoando a célebre frase de Walt Disney: If you can dream it, you can do it.

Na visão da Midiaria.com, a palestra de Luis Justo sintetizou um ponto essencial do evento: a inovação começa no humano. A tecnologia é meio, nunca fim. E o sonho, quando sustentado por propósito e coragem, é a força mais transformadora que existe — seja para reinventar um festival, um negócio ou uma marca.