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AI Brasil Experience 2025 novembro 17, 2025

A internet medieval e o futuro pós-humano: o alerta de Juliano Kimura sobre IA e autenticidade

Nadia Zarour Barua

Escrito por Nadia Zarour Barua

Tempo de leitura 4 min

A internet medieval e o futuro pós-humano: o alerta de Juliano Kimura sobre IA e autenticidade

No AI Brasil Experience 2025, realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo, o estrategista digital Juliano Kimura apresentou uma palestra intensa e provocadora sobre os rumos da inteligência artificial e o futuro da internet. Com um tom direto e pessoal, Kimura, conhecido por sua trajetória como palestrante do Facebook Brasil e pesquisador de comportamento digital, começou dizendo que “não haveria massagem” naquela conversa. O objetivo era provocar reflexão e tirar o público da zona de conforto.

De forma cronológica e quase autobiográfica, Juliano contextualizou sua jornada, da geração que estudava com enciclopédias impressas até o momento em que as máquinas começaram a escrever sozinhas. Foi durante um curso no MIT que ele percebeu o tamanho da mudança em curso. “A internet que temos hoje é medieval”, afirmou. “É uma rede repleta de fraudes, fakes e desinformação. E a IA não vai consertar isso, pelo contrário, vai amplificar.”

A palestra ganhou força quando ele revelou sua experiência em um projeto paralelo da OpenAI, criado por Sam Altman, voltado a resolver o problema da autenticidade digital. Segundo ele, estamos chegando ao ponto em que será impossível distinguir o que é humano do que é artificial, tanto em texto quanto em vídeo. “A revolução das redes sociais levou dez anos. A da inteligência artificial levou um”, disse. “Talvez essa seja a última revolução industrial, porque a velocidade nunca mais será a mesma.”

Kimura alertou para o crescimento explosivo de ferramentas de IA, mais de 42 mil catalogadas, com 160 novas surgindo todos os meses. Segundo ele, não há como acompanhar tudo, e por isso o segredo não está em conhecer todas, mas em saber qual usar para potencializar o próprio trabalho. “A ferramenta é um músculo. A inteligência artificial é uma extensão de você. Cada um está treinando a sua.”

Entre provocações e metáforas, o palestrante comparou o uso de IA ao aprendizado de boxe. “O lutador não dá soco com o braço, ele usa o corpo inteiro. É assim com a IA, quanto mais você treina e entende seu próprio movimento, mais impacto você gera.”

Em seguida, abordou o tema da “internet morta”, teoria que aponta que mais de 50% das interações online já ocorrem entre máquinas. Ele descreveu o novo marketing como o diálogo entre inteligências artificiais, a IA do consumidor conversando com a IA da marca. “O futuro do marketing é a autenticidade. As pessoas não vão mais acreditar em tudo que veem. Vão buscar quem é real”, afirmou.

Entre os momentos mais curiosos da palestra, Juliano mencionou dados de uso de IA que revelam o lado humano e também o sombrio da tecnologia. Mais de 30% das ferramentas mais populares entre usuários comuns são usadas para criar personagens fictícios, namoradas virtuais e perfis falsos. “Sabe aquela pessoa perfeita que você conheceu online? Pode ser um programador de 150 quilos em Curitiba”, brincou, arrancando risadas da plateia.

Mas o alerta era sério: a perda de confiança é o maior risco da nova era digital. Para ele, a solução está no uso combinado de IA e blockchain. “A IA retira confiança da internet. O blockchain devolve”, explicou, destacando o papel da tecnologia como protocolo de autenticidade que permite rastrear a origem de um conteúdo e garantir quem o criou.

Juliano também falou sobre o projeto Worldcoin, iniciativa que gerou polêmica ao oferecer dinheiro em troca da digitalização da íris dos usuários. Segundo ele, o verdadeiro propósito era desenvolver uma “prova de humanidade criptografada”, essencial para um futuro em que até reuniões de trabalho poderão ser feitas por avatares indistinguíveis de pessoas reais.

Encerrando com energia e humor, o palestrante resgatou uma cena do filme Sociedade dos Poetas Mortos para reforçar a importância de agir com propósito. “Carpe diem. Aproveite o dia de hoje e faça da sua vida algo extraordinário”, disse, sob aplausos.

Na leitura da Midiaria.com, a palestra de Juliano Kimura foi uma das mais provocativas do evento. Ao mesmo tempo em que celebrou o poder da IA, ele fez um chamado à responsabilidade e à autenticidade. A tecnologia evolui em ritmo exponencial, mas o que continuará sendo raro e valioso é o humano por trás da tela.