World Summit AI 2025 - Amsterdam outubro 8, 2025
Os novos impérios da IA: a corrida pela dominação e seu custo oculto para o planeta e a sociedade

Uma palestra recente lançou um olhar crítico sobre a veloz expansão da inteligência artificial, argumentando que as gigantes da tecnologia estão construindo verdadeiros “Impérios de IA” com paralelos diretos aos impérios históricos. A apresentação, baseada no trabalho de Karen Hao, autora do livro “Empire of AI”, desmembrou o custo real por trás da corrida pela dominação tecnológica.
A tese central compara os “Impérios de Antigamente” com os “Impérios da IA”, destacando quatro características compartilhadas:
- apropriação de recursos: antes terra e minerais; hoje, adiciona-se dados e arte a essa lista.
- exploração do trabalho: a escravidão e o trabalho forçado de ontem dão lugar ao trabalho terceirizado, invisível e mal remunerado, além da automação em massa.
- monopolização do conhecimento: o controle sobre a ciência e a informação evoluiu para o domínio da pesquisa em IA e a censura de “verdades inconvenientes”.
- justificativa moral: a antiga “missão civilizatória” de levar progresso e Deus à humanidade é espelhada hoje pela missão de inaugurar uma “utopia de IA” e evitar um “inferno de IA”.
A escalada exponencial e suas consequências
A apresentação demonstrou a escala massiva dessa nova era. A evolução dos modelos de linguagem, como o GPT, foi usada como exemplo: do GPT-2 com 1.5 bilhão de parâmetros em 2019 para a estimativa de 1.8 trilhão de parâmetros do GPT-4 em 2023. Esse salto foi alimentado por uma coleta de dados cada vez mais ampla e controversa, incluindo varreduras de livros, transcrições do YouTube e vastas porções da internet que não proibiam explicitamente a raspagem de dados.
As consequências dessa abordagem são graves: violações de privacidade, erosão da propriedade intelectual, perpetuação de modelos de engajamento tóxicos das redes sociais, poluição dos datasets e exploração de mão de obra.
O custo físico do mundo digital
O impacto não é apenas digital. A necessidade de “computação” para treinar e operar esses modelos gera consequências ambientais e sociais diretas:
- Extração mineral acelerada.
- Aumento do consumo de energia e água potável.
- Aumento nas contas de serviços públicos.
- Tensão na infraestrutura da rede elétrica.
- Maiores emissões de carbono.
Um dado alarmante foi destacado: um relatório de 2025 da World Benchmarking Alliance aponta que quatro empresas líderes em IA aumentaram suas emissões em mais de 150% desde 2020.
Essa expansão é financiada por investimentos colossais. Projeções da McKinsey & Company indicam que o investimento de capital em data centers relacionados à IA pode saltar de $3 trilhões para até $8 trilhões até 2030.
Um dos pontos mais críticos abordados foi a crescente proliferação de data centers em áreas de alto estresse hídrico. Gráficos mostraram que, tanto nos EUA quanto globalmente (em países como China, Reino Unido, Índia e Holanda), há uma tendência de construir essas instalações massivas e sedentas por água exatamente onde esse recurso é mais escasso.
Ao final, a apresentação deixou duas mensagens claras e provocativas. Primeiro, que “esta escala é desnecessária”, questionando a inevitabilidade da trajetória atual. E, por fim, uma conclusão que ecoa através da história: “quando as pessoas se levantam… impérios caem.”


