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World Summit AI 2025 - Amsterdam outubro 9, 2025

Investir em IA em tempos incertos: o equilíbrio entre inovação, regulação e propósito

Lucas Lima

Escrito por Lucas Lima

Tempo de leitura 3 min

Investir em IA em tempos incertos: o equilíbrio entre inovação, regulação e propósito

Empreendedores e investidores discutem como navegar o cenário global de tecnologia sob pressão política e ética

O painel “Navigating Uncertainty: AI Entrepreneurs and Investors in a Geopolitical Storm”, realizado no World Summit AI 2025, trouxe uma discussão urgente sobre o papel de empreendedores, investidores e formuladores de políticas públicas em um momento em que a inteligência artificial avança mais rápido do que a capacidade regulatória e diplomática dos países.

Moderado por Henk Kok, Founding Partner da Xablu Venture Studio, o debate reuniu vozes experientes do ecossistema de inovação e capital de risco. As falas mostraram que o sucesso no mercado de IA não depende apenas de tecnologia e investimento, mas de governança, responsabilidade e adaptação global.

Compliance desde o primeiro dia

Para Frank Herrman, Investment Manager da Netherlands Enterprise Agency (RVO), o ponto de partida para qualquer startup de IA deve ser a conformidade com as regulações locais e internacionais.

“Se no primeiro dia você não estiver em conformidade, como pretende chegar ao mercado?”, questionou Herrman, reforçando a importância de incorporar governança desde o início do desenvolvimento tecnológico.

A fala evidencia um novo paradigma: empresas que ignoram normas como o AI Act europeu não estão apenas correndo riscos jurídicos, mas também perdendo credibilidade perante investidores e consumidores.

Investimento responsável e foco em ESG

A perspectiva de Lisa Brouwer, investidora da Curiosity VC, complementou o debate ao destacar o papel crescente da responsabilidade social e ambiental no processo de investimento.

Segundo ela, as due diligences de venture capital agora incluem critérios de ESG, e a ideia de IA responsável se tornou um fator decisivo na avaliação de novas empresas.

O movimento aponta para uma tendência: o capital está cada vez mais seletivo, favorecendo negócios que combinam rentabilidade com impacto positivo e ética tecnológica.

Talento global e desafios sem fronteiras

Michael van Lier, Founder e Managing Director da Builders, trouxe uma perspectiva prática sobre talento e competitividade.

Ele observou que os profissionais mais qualificados não se limitam a fronteiras geográficas. O que os move é o desafio. “Com grandes talentos técnicos, o país em que vivem importa pouco — o que importa é o tamanho do problema que eles estão resolvendo.”

Essa visão reforça a natureza global da IA. Enquanto governos debatem regulações, os talentos e as ideias fluem livremente, moldando um mercado cada vez mais competitivo e descentralizado.

Um futuro guiado por responsabilidade e estratégia

O painel concluiu que, diante das tensões geopolíticas e do avanço da regulação, o futuro da inteligência artificial depende de uma combinação entre ética, inovação e pragmatismo.

Empreendedores que entenderem esse equilíbrio terão mais chances de crescer de forma sustentável, enquanto investidores atentos a esses valores pavimentam o caminho para uma nova geração de negócios tecnológicos.

Em resumo:

O debate deixou claro que navegar a incerteza exige mais do que visão tecnológica. Exige responsabilidade, preparo e a capacidade de enxergar a IA não apenas como um diferencial competitivo, mas como um instrumento de transformação global.