World Summit AI 2025 - Amsterdam outubro 8, 2025
Vice-prefeito de Amsterdã defende uso consciente e humano da inteligência artificial na abertura do World Summit AI 2025

Alexander Scholtes reforça o compromisso da cidade com o desenvolvimento tecnológico responsável e centrado nas pessoas
Durante a cerimônia de abertura do World Summit AI 2025, o vice-prefeito de Amsterdã, Alexander Scholtes, destacou a importância de adotar uma abordagem crítica e progressiva diante da inteligência artificial. Em seu discurso, o líder municipal reforçou que a tecnologia deve ser tratada como um meio para aprimorar a experiência humana e atender às necessidades reais da comunidade, e não como um fim em si mesma.
Scholtes lembrou que a cidade apresentou sua visão sobre IA durante a edição anterior do evento, e reafirmou os princípios que norteiam essa estratégia: colocar as pessoas em primeiro lugar, reconhecer as limitações da tecnologia e investir em parcerias entre governo, empresas e instituições de conhecimento para garantir o uso ético e responsável da inteligência artificial.
Segundo o vice-prefeito, o avanço tecnológico deve ser acompanhado de reflexão e prudência. Isso significa que, em alguns casos, a escolha mais responsável pode ser decidir conscientemente não aplicar IA, especialmente quando o impacto social ou ético ainda não é totalmente compreendido. “A tecnologia deve servir à vida urbana, não substituí-la”, reforçou Scholtes.
Ele reconheceu que Amsterdã vive um momento de intensa transformação, com o surgimento de novas aplicações de IA que afetam diretamente o cotidiano das pessoas, de interações com assistentes virtuais a conteúdos gerados por algoritmos. No entanto, destacou que o entusiasmo com essas inovações precisa vir acompanhado de consciência sobre seus efeitos.
Entre as preocupações levantadas, o vice-prefeito mencionou o impacto dos algoritmos na saúde mental e na atenção das crianças e jovens, o consumo crescente de energia e recursos para sustentar modelos cada vez mais complexos e, principalmente, o risco da desigualdade digital, que aprofunda a distância entre quem tem e quem não tem acesso à tecnologia.
Para enfrentar esse último desafio, Scholtes citou a criação do TUMO Amsterdam, um centro de tecnologia criativa gratuito voltado para adolescentes, que tem como objetivo promover alfabetização digital e consciência sobre o papel da IA na vida cotidiana.
Outro ponto de alerta de sua fala foi a dependência europeia de grandes empresas estrangeiras de tecnologia. Scholtes ressaltou que é essencial fortalecer o ecossistema de inovação europeu, com companhias que operem dentro das jurisdições e valores do continente.
“Precisamos manter o controle sobre nossos próprios dados, comunicações e futuro”, afirmou, em tom de defesa da soberania digital.
O vice-prefeito encerrou sua participação destacando o trabalho da coalizão Amsterdam AI, que reúne governos, universidades e empresas em projetos de pesquisa avançada, educação inovadora e colaboração multidisciplinar. O objetivo, segundo ele, é transformar essas parcerias em impacto real, promovendo um uso da inteligência artificial que seja centrado nas pessoas, justo, seguro e confiável.
Scholtes concluiu com uma reflexão sobre o equilíbrio entre tecnologia e humanidade:
“O que torna uma cidade especial tem pouco a ver com tecnologia, e tudo a ver com as pessoas”. A frase, recebida com aplausos, sintetizou o espírito de Amsterdã como capital global da inovação ética e anfitriã do principal evento mundial sobre inteligência artificial.


