Web Summit Lisboa 2025 novembro 12, 2025
IA, cultura e ética: o debate que a tecnologia não pode evitar

Em um dos painéis mais aguardados do Web Summit Lisboa 2025, Greg Brockman, cofundador e presidente da OpenAI, e Jameela Jamil, atriz e ativista, compartilharam reflexões profundas sobre o impacto social e ético da inteligência artificial.
A conversa, mediada com leveza, colocou frente a frente o criador de uma das ferramentas mais poderosas do mundo e uma das vozes mais críticas sobre os riscos da tecnologia sem responsabilidade.
Tecnologia sem propósito é risco
Greg Brockman iniciou destacando que a missão da OpenAI continua sendo garantir que a inteligência artificial beneficie toda a humanidade.
“Estamos em uma fase em que o avanço é inevitável, mas o propósito precisa ser intencional”, afirmou.
Ele reforçou que o maior desafio hoje não é técnico, mas ético: entender como equilibrar inovação com segurança e transparência.
Jameela Jamil trouxe a perspectiva humana da discussão.
Para ela, o perigo não está apenas no que a IA faz, mas no que ela desestimula nos humanos.
“Estamos tão fascinados pela eficiência que esquecemos o valor da dúvida, da empatia e da falha. A tecnologia não pode nos roubar isso”, disse.
O papel da cultura na regulação da IA
O debate também abordou a necessidade de diversidade cultural e representatividade nas equipes que constroem sistemas de IA.
Brockman reconheceu que ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que os modelos reflitam diferentes idiomas, realidades e contextos.
“Não queremos uma IA que entenda apenas o mundo em inglês. Queremos uma IA que entenda o mundo de todos”, afirmou.
Jameela completou dizendo que a inclusão não é apenas uma questão moral, mas prática.
Sistemas mais diversos são mais justos, confiáveis e adaptáveis.
“Se a IA for construída por um único tipo de pessoa, servirá a um único tipo de mundo”, disse.
A urgência da regulação
Ambos concordaram que a regulação global da inteligência artificial precisa acompanhar a velocidade da inovação.
Brockman destacou a importância de parcerias entre governos, empresas e instituições acadêmicas.
“Se cada país criar suas próprias regras, corremos o risco de fragmentar a tecnologia mais poderosa da nossa era”, alertou.
Jameela defendeu que a transparência é o primeiro passo.
“As pessoas não precisam entender cada linha de código, mas precisam confiar nas intenções de quem está por trás delas”, afirmou.
O que aprendemos com isso
O painel deixou claro que o futuro da inteligência artificial não será definido apenas por quem a cria, mas por quem exige responsabilidade.
Como disse Jameela Jamil ao encerrar o debate:
“Não precisamos de uma IA que nos substitua, mas de uma IA que nos inspire a ser melhores humanos.”
Greg Brockman completou com uma visão que resume o espírito da conversa:
“O poder da IA não está no que ela pode fazer sozinha, mas no que ela nos permite fazer juntos.”





