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Web Summit Rio 2026 junho 10, 2026

Inteligência Artificial, Pessoas e Cultura: o que as empresas precisam aprender agora

Kleber Pinto

Escrito por Kleber Pinto

Tempo de leitura 6 min

Inteligência Artificial, Pessoas e Cultura: o que as empresas precisam aprender agora

Embora os debates sobre inteligência artificial frequentemente estejam concentrados na tecnologia em si, a conversa entre Guilherme Dias, CMO da Gupy, Adriano Dias, CEO da Almaviva Solutions, e Paulo Emediato, colunista da MIT Sloan Management Review Brasil, no Web Summit Rio 2026, trouxe uma perspectiva mais ampla: o verdadeiro desafio não está apenas na adoção das ferramentas, mas na transformação cultural necessária para que elas gerem valor real.

A mensagem central da discussão foi clara: a inteligência artificial não substitui estratégia, liderança ou comunicação. Ela potencializa organizações que já possuem clareza de propósito, processos bem estruturados e uma cultura aberta à mudança.

O fim da discussão sobre tecnologia

Há poucos anos, a pergunta era “devemos usar inteligência artificial?”. Em 2026, a questão mudou completamente. Agora, a pergunta é “como utilizar inteligência artificial de forma estratégica para gerar eficiência, inovação e vantagem competitiva?”.

A IA deixou de ser uma tendência para se tornar infraestrutura empresarial. Assim como energia elétrica, internet ou computação em nuvem, ela passa a ser um elemento básico da operação.

Nesse cenário, as empresas que ainda tratam IA como um projeto isolado correm o risco de ficar para trás. As organizações mais avançadas já integram inteligência artificial em processos de atendimento, recrutamento, marketing, análise de dados, produção de conteúdo, vendas e gestão do conhecimento.

O verdadeiro desafio é humano

Um dos pontos mais relevantes da discussão entre os executivos foi a constatação de que os maiores obstáculos não são tecnológicos.

As barreiras estão nas pessoas.

Muitas organizações investem em ferramentas sofisticadas, mas negligenciam aspectos fundamentais como capacitação, comunicação interna e gestão da mudança.

Quando colaboradores não entendem o motivo da transformação, surgem inseguranças, resistência e baixa adesão.

Por isso, a implementação da IA deve ser acompanhada por programas consistentes de comunicação organizacional, treinamento e engajamento.

Mais do que ensinar alguém a utilizar uma plataforma, é necessário explicar como essa tecnologia impacta a carreira, os resultados do negócio e o futuro da organização.

Comunicação interna: a nova fronteira da transformação digital

A adoção da inteligência artificial tornou a comunicação interna uma área estratégica.

Historicamente vista como suporte institucional, ela passa a desempenhar um papel fundamental na gestão das transformações.

As empresas precisam construir narrativas claras sobre:

  • Por que estão adotando IA;
  • Quais processos serão impactados;
  • Como as equipes serão preparadas;
  • Quais oportunidades surgirão para os profissionais;
  • Como a tecnologia será utilizada de forma ética e responsável.

Quando a comunicação não acontece, o espaço é ocupado por rumores, receios e desinformação.

O resultado é uma organização menos preparada para absorver mudanças.

Comunicação externa: confiança será o principal ativo

Se internamente o desafio é engajar colaboradores, externamente o foco será construir confiança.

Consumidores, investidores e parceiros estão cada vez mais atentos à forma como empresas utilizam inteligência artificial.

Questões relacionadas à privacidade, transparência, segurança e uso responsável de dados passaram a fazer parte da reputação corporativa.

Nos próximos anos, não bastará utilizar IA. Será necessário comunicar claramente como ela está sendo utilizada.

As marcas mais bem-sucedidas serão aquelas capazes de demonstrar que a tecnologia está sendo aplicada para melhorar a experiência das pessoas, e não apenas para reduzir custos.

O novo papel das lideranças

A discussão também evidenciou uma mudança importante no perfil dos líderes. Durante décadas, liderança esteve associada ao domínio da informação. Com a inteligência artificial, a informação se torna abundante.

O diferencial passa a ser a capacidade de interpretar contextos, tomar decisões complexas, conectar pessoas e construir visão de futuro. Em outras palavras, quanto mais tecnologia existir, mais importantes se tornam as competências humanas.

Empatia, criatividade, pensamento crítico e inteligência emocional deixam de ser habilidades complementares para se tornarem competências centrais.

O que as empresas devem fazer agora

Independentemente do porte ou segmento, algumas ações se tornam prioritárias:

1. Criar uma estratégia de IA alinhada ao negócio

A tecnologia não pode ser adotada apenas porque está em evidência. Ela deve resolver problemas concretos e apoiar objetivos estratégicos.

2. Investir em alfabetização em IA

Todos os colaboradores precisam compreender conceitos básicos, oportunidades e riscos associados à tecnologia.

3. Estruturar um programa de comunicação da transformação

A implementação de IA deve ser acompanhada por uma narrativa consistente, transparente e contínua.

4. Revisar processos e fluxos de trabalho

Automatizar processos ineficientes apenas acelera problemas existentes.

5. Construir governança

É fundamental estabelecer políticas relacionadas a dados, privacidade, ética e uso responsável da inteligência artificial.

Como a midiaria pode apoiar essa jornada

Na midiaria, observamos diariamente que os maiores desafios dos nossos clientes já não estão apenas na comunicação ou no marketing. Eles estão na interseção entre tecnologia, negócios, cultura organizacional e reputação.

Por isso, estamos evoluindo nosso posicionamento.

Mais do que uma agência de comunicação, estamos nos consolidando como uma consultoria estratégica de comunicação e negócios. Essa transformação reflete uma mudança do próprio mercado.

Hoje, nossos clientes precisam de parceiros capazes de:

  • Traduzir tendências tecnológicas para estratégias de negócio;
  • Estruturar programas de comunicação para transformação digital;
  • Desenvolver posicionamentos de marca em um contexto de IA;
  • Apoiar lideranças na construção de thought leadership;
  • Criar ecossistemas de conteúdo orientados por dados;
  • Integrar comunicação, inovação e reputação corporativa.

A inteligência artificial está redefinindo a forma como empresas operam, se relacionam com seus públicos e constroem valor.

Nesse contexto, comunicação deixa de ser apenas uma função operacional.

Ela se torna um dos principais ativos estratégicos para garantir que tecnologia, pessoas e negócios avancem na mesma direção.

O futuro não será definido apenas por quem possui a melhor tecnologia.
Será definido por quem consegue comunicar melhor sua transformação.

 

Crédito da foto: Web Summit Rio 2026