Web Summit Lisboa 2025 novembro 13, 2025
IA, privacidade e autonomia com Des Hogan
No quarto dia do Web Summit Lisboa 2025, Des Hogan, Data Protection Commissioner da Irlanda, trouxe uma mensagem clara. A relação entre IA, privacidade e autonomia já se tornou o novo eixo das decisões regulatórias e exige atenção imediata.
IA, privacidade e autonomia não podem ser separadas
Hogan explicou que IA, privacidade e autonomia caminham juntas porque cada modelo treinado, cada coleta de dados e cada inferência automatizada influenciam diretamente o direito básico das pessoas de compreender e controlar o que acontece com suas informações. Além disso, ele reforçou que proteger usuários não desacelera a inovação. Pelo contrário, torna possível que ela avance de forma segura e sustentável.
O caso TikTok e as transferências internacionais
Um exemplo citado foi a investigação envolvendo o TikTok. Nesse caso, o debate girava em torno do risco de acesso remoto por equipes localizadas em países sem equivalência regulatória. Segundo Hogan, o problema cresce quando dados atravessam fronteiras sem proteção adequada. Por isso, reguladores atuam para garantir que as empresas tratem dados sensíveis com transparência e base legal.
Onde estão os maiores riscos
Durante o painel, Hogan apresentou os pontos que hoje mais despertam intervenção regulatória. Dados de crianças, geolocalização precisa e coleta excessiva usada no treinamento de modelos de IA apareceram no topo da lista. Ele lembrou que plataformas como Meta, Google e LinkedIn já passaram por mudanças impostas após investigações. Por isso, defendeu que IA, privacidade e autonomia precisam ser consideradas desde o design do produto e não apenas na etapa final.
Os três princípios fundamentais
Hogan destacou três princípios que sustentam o uso responsável de IA. O primeiro é a transparência, que precisa explicar como a tecnologia funciona. O segundo é a existência de uma base legal clara para tratar dados. O terceiro é a minimização, que reduz ao essencial o volume de informações coletadas. Além disso, ele explicou que até dados sintéticos podem carregar rastros de dados reais, o que aumenta a necessidade de controle.
Um ecossistema regulatório unificado
Hogan também apontou que GDPR, DSA, DMA e o novo AI Act agora caminham juntos. Essa convergência cria um sistema regulatório mais coerente e reduz conflitos que existiam entre diferentes normas. Segundo ele, IA, privacidade e autonomia dependem dessa harmonização para garantir previsibilidade e confiança tanto para usuários quanto para empresas.
O foco em segurança infantil
Grande parte dos processos recentes começou porque contas de menores estavam públicas por padrão. Para Hogan, IA, privacidade e autonomia são pilares centrais da proteção infantil. Por isso, esse tema continuará no centro das investigações.
Conclusão
Para Hogan, o debate não gira em torno de frear tecnologia. Ele se concentra em garantir que IA, privacidade e autonomia protejam as pessoas enquanto novas soluções são criadas. Assim, confiança, clareza e responsabilidade tendem a definir o futuro da inovação.
