Stratcom 2026 novembro 6, 2026
Quando a IA silencia as empresas: o papel da comunicação intercultural nas fusões e aquisições
O que acontece quando duas empresas passam a operar juntas, mas suas culturas não conseguem se entender?
Essa foi uma das reflexões levadas pela midiaria ao Stratcom 2026, X Congresso Internacional de Comunicação Estratégica, realizado entre os dias 4 e 6 de novembro, em Medellín, na Colômbia. A agência esteve representada por seus cofundadores Lucas Lima e Kleber Pinto, que participaram da programação com a apresentação de trabalhos acadêmicos ligados à comunicação estratégica.
Neste texto, o foco está na pesquisa apresentada por Lucas Lima, mestrando em Comunicação Intercultural nas Organizações e diretor de Branding e Relacionamento.
No artigo Cuando la IA silencia a las empresas: el riesgo invisible de las fusiones y adquisiciones sin escucha, cultura y pensamiento crítico, Lucas parte de uma questão cada vez mais relevante para empresas em processos de fusões e aquisições (M&A): enquanto análises financeiras, jurídicas e operacionais costumam concentrar grande parte da atenção, a cultura organizacional nem sempre ocupa o mesmo espaço na tomada de decisão.
A apresentação trouxe um recorte de seu estudo sobre comunicação intercultural como ferramenta estratégica em fusões e aquisições, especialmente diante do avanço da inteligência artificial nos processos corporativos.
Uma fusão não termina com a assinatura do contrato
A negociação pode estar concluída, mas a integração entre as empresas está apenas começando. Cada organização carrega valores, práticas, símbolos, histórias e formas próprias de tomar decisões. Quando essas diferenças são ignoradas, podem surgir conflitos, dificuldades de adaptação e perda de talentos, com impactos diretos para o negócio.
É aí que a comunicação intercultural ganha relevância. Ela ajuda a compreender como cada grupo interpreta liderança, autonomia, colaboração e outros elementos que fazem parte da rotina de uma empresa.
Até palavras aparentemente comuns podem carregar sentidos diferentes em cada organização. Por isso, integrar culturas não significa uniformizar comportamentos. O desafio está em criar condições para que pessoas com referências distintas consigam trabalhar juntas.
O que a inteligência artificial consegue e não consegue analisar
Ferramentas de inteligência artificial já são utilizadas para organizar grandes volumes de informação, identificar padrões e apoiar decisões relacionadas a fusões e aquisições. Grande parte desse uso está concentrada em dados financeiros, operacionais e outros indicadores mensuráveis.
O ponto levantado pelo mestrando é que essa mesma lógica ainda alcança pouco os aspectos culturais envolvidos em uma integração. Confiança, percepção dos colaboradores, identidade, relações de poder e histórico das organizações não aparecem de forma completa em uma planilha ou dashboard.
A IA pode acelerar análises e trazer informações importantes para a tomada de decisão, mas existem questões que continuam dependendo de escuta, interpretação e contexto. Uma recomendação tecnicamente eficiente pode não funcionar da mesma forma para dois grupos que possuem referências culturais diferentes.
Os fatores que não aparecem nos indicadores
Durante a apresentação, diretor da midiaria.com destacou quatro elementos que ajudam a sustentar uma integração entre organizações:
- Confiança: oferecer espaço para que as pessoas possam falar sem medo.
- Sensibilidade cultural: reconhecer diferenças sem tratá-las como falhas.
- Inteligência relacional: desenvolver vínculos, diálogo e cooperação.
- Pensamento crítico: questionar dados, premissas, recomendações e possíveis vieses.
São aspectos difíceis de mensurar, mas que influenciam diretamente a forma como as pessoas recebem mudanças, constroem relações e se posicionam dentro da nova organização.
Quando a cultura entra na discussão apenas no final do processo, a comunicação corre o risco de assumir um papel restrito à divulgação de decisões que já foram tomadas.
O estudo propõe uma participação anterior e mais estratégica: entender os grupos envolvidos, identificar diferenças e considerar essas informações ao longo da integração.
Como integrar sem silenciar?
A apresentação organiza essa reflexão em quatro ações práticas.
- Escutar: criar espaços de conversa com equipes, lideranças e diferentes grupos envolvidos.
- Contextualizar: combinar indicadores com relatos, experiências e observação do ambiente.
- Questionar: analisar recomendações, possíveis vieses e consequências antes de transformar dados em decisões.
- Integrar: incluir a cultura desde o início do processo de fusão ou aquisição.
Nesse modelo, a tecnologia funciona como apoio para ampliar a capacidade de análise e de escuta. Ela não encerra a conversa nem substitui a leitura humana sobre o que está acontecendo dentro da organização.
Eficiência aproxima. Escuta constrói.
A discussão apresentada no Stratcom coloca uma questão importante para empresas que utilizam cada vez mais dados e inteligência artificial em suas decisões estratégicas: nem tudo o que influencia o sucesso de uma organização cabe em uma métrica.
Em fusões e aquisições, a compatibilidade financeira e operacional é fundamental, mas não explica sozinha o que acontece quando duas culturas passam a dividir o mesmo ambiente.
Compreender as pessoas envolvidas, suas referências e a forma como interpretam a mudança pode ser decisivo para evitar conflitos, preservar talentos e construir relações de confiança.
Como sintetiza uma das mensagens apresentadas por Lucas Lima: “A eficiência aproxima as empresas; a escuta constrói uma organização.”
Em um contexto de decisões cada vez mais orientadas por dados, a capacidade de ouvir aquilo que os indicadores não mostram também pode se tornar uma vantagem estratégica.
Sua empresa está passando por uma fusão ou aquisição?
Em processos de fusão e aquisição, comunicar bem também faz parte da integração. A midiaria.com apoia empresas nesse tipo de movimento com soluções de assessoria de imprensa e comunicação corporativa, ajudando a organizar mensagens, alinhar narrativas e conduzir o relacionamento com imprensa e públicos estratégicos de forma clara e consistente.
Se a sua empresa está passando por um processo de transformação, fusão ou aquisição, conheça as soluções da midiaria para apoiar essa comunicação.
