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AI Brasil Experience 2025 novembro 17, 2025

O que significa, na prática, ser uma empresa AI-First

Nadia Zarour Barua

Escrito por Nadia Zarour Barua

Tempo de leitura 3 min

O que significa, na prática, ser uma empresa AI-First

Durante o AI Brasil Experience 2025, realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo, um dos momentos mais marcantes do palco principal foi a palestra de Leandro Ângelo, sócio e vice-presidente da CI&T na América Latina. Com uma fala direta e desmistificadora, Leandro propôs uma reflexão essencial para qualquer organização que deseja incorporar inteligência artificial ao seu modelo de negócio: o que realmente significa ser uma empresa “AI-First”.

O termo, amplamente repetido no mercado, costuma ser associado a empresas que adotam tecnologias avançadas ou que usam algoritmos para automatizar processos. Mas, segundo Leandro, essa visão é superficial. Ser AI-First não é colocar a tecnologia na frente das pessoas, e sim colocar as pessoas no centro das decisões tecnológicas. É entender que a inteligência artificial não é um projeto de inovação, mas um novo jeito de operar, pensar e resolver problemas.

O executivo destacou que muitas companhias ainda confundem entusiasmo com maturidade. Ter dezenas de pilotos de IA rodando não significa que a transformação está acontecendo. “O número de casos de uso não mede o impacto da tecnologia”, disse ele ao público. A métrica correta está no valor gerado para o negócio, no quanto essas soluções de fato mudam a experiência do cliente e a produtividade do time. O sucesso de uma jornada de IA, portanto, não se mede pelo volume de iniciativas, mas pela coerência entre propósito e prática.

Durante a fala, Leandro reforçou que inovação não nasce de experimentações aleatórias, mas de uma cultura preparada para aprender com dados. E cultura, nesse contexto, não é um software. É um conjunto de comportamentos. É o que define se a tecnologia será usada para amplificar a inteligência humana ou apenas para substituir tarefas repetitivas. Ele lembrou que a CI&T vem ajudando empresas no mundo todo a criar estruturas em que a inteligência artificial se integra aos fluxos de trabalho, respeitando as pessoas e os objetivos estratégicos de cada negócio.

O público acompanhou atentamente quando Leandro fez uma provocação que ecoou em várias outras palestras do evento: ser uma organização “AI-First” não é uma escolha tecnológica, é uma decisão cultural. Exige governança de dados, clareza sobre quais problemas realmente precisam ser resolvidos e coragem para revisar processos antigos. Só assim a IA deixa de ser uma promessa e se torna um diferencial competitivo real.

Na visão da Midiaria.com, a fala de Leandro Ângelo traduz um ponto crucial da transformação digital. Ser AI-First não significa adotar modismos ou correr atrás da ferramenta da vez, mas sim compreender o papel da tecnologia como um instrumento de inteligência coletiva. É sobre usar dados e automação para servir à estratégia, e não o contrário. É sobre desenvolver times curiosos, capazes de aprender continuamente, testar hipóteses e encontrar sentido em cada avanço.

O AI Brasil Experience 2025 mostrou, logo nessa primeira palestra, que o futuro das empresas não está apenas em programar máquinas mais inteligentes, e sim em cultivar organizações mais conscientes sobre o que fazem com essa inteligência.