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AI Brasil Experience 2025 novembro 17, 2025

A coragem de admitir o medo: como nasce a inovação

Nadia Zarour Barua

Escrito por Nadia Zarour Barua

Tempo de leitura 3 min

A coragem de admitir o medo: como nasce a inovação

No AI Brasil Experience 2025, realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo, uma das conversas mais honestas do evento partiu de Marcus Hadade e Marcelo Petercem, dois executivos que, em vez de vender certezas sobre o futuro da tecnologia, abriram o palco falando de algo raramente ouvido em eventos de inovação: o medo.

Eles começaram o painel lembrando que toda transformação começa pelo desconforto. “A gente fala de inteligência artificial como se fosse um passo natural, mas o que vem antes da inovação é sempre o medo de errar”, observou Hadade. A plateia reagiu com empatia — afinal, por trás de cada projeto de IA, há profissionais tentando entender até onde é seguro ir e o que realmente está em jogo.

Marcelo Petercem complementou dizendo que a coragem, nesse contexto, não é ausência de medo, mas a decisão de avançar mesmo diante dele. Em empresas que estão passando por mudanças culturais e tecnológicas, esse sentimento é inevitável. “O medo é o sinal de que você está pisando fora da zona de conforto. E é exatamente aí que a inovação acontece”, afirmou.

Durante o diálogo, os dois reforçaram que o erro ainda é visto, em muitas companhias, como algo inaceitável. E esse é um dos maiores bloqueios à experimentação com IA. Para transformar de verdade, é preciso permitir tentativas, revisões e ajustes. É uma jornada que mistura técnica e emoção, dados e sensibilidade. “A IA é apenas a ferramenta. O que define o resultado é a coragem humana de continuar aprendendo”, disse Petercem.

O público ouviu atentos exemplos práticos de empresas que tentaram, fracassaram e recomeçaram melhor. Casos em que o medo inicial se transformou em aprendizado coletivo. Os palestrantes destacaram que, ao aceitar essa vulnerabilidade, as lideranças criam espaços seguros para inovar, sem a ilusão de controle total.

Na visão da Midiaria.com, essa fala foi um lembrete necessário: a inovação autêntica nasce quando há espaço para sentir medo, refletir e ainda assim seguir. O medo é o gatilho que expõe o que realmente precisa ser repensado. E a coragem é o que transforma essa exposição em movimento. Num mundo onde o discurso da tecnologia muitas vezes se confunde com o da perfeição, admitir o medo é, paradoxalmente, o primeiro ato de inteligência emocional — e também o primeiro passo de qualquer processo criativo.

O AI Brasil Experience 2025 reforçou essa ideia em diversas vozes: ser inovador não é estar sempre certo, mas estar sempre disposto a tentar de novo.