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Web Summit Lisboa 2025 novembro 11, 2025

Modelos de mundo: a nova fronteira da inteligência artificial

Kleber Pinto

Escrito por Kleber Pinto

Tempo de leitura 4 min

Modelos de mundo: a nova fronteira da inteligência artificial

O palco central do Web Summit Lisboa 2025 foi tomado por uma conversa que mesclou fascínio tecnológico e reflexão humanista. Cristóbal Valenzuela, CEO e fundador da Runway, uma das startups mais influentes em inteligência artificial aplicada à criação audiovisual, conversou com Katie Drummond, diretora editorial global da WIRED, sobre o avanço dos modelos de mundo, sistemas capazes de simular a realidade em tempo real.

Do vídeo ao mundo simulado: uma nova fronteira tecnológica

Valenzuela iniciou destacando que os modelos de mundo na inteligência artificial são uma evolução direta das tecnologias de geração de vídeo e linguagem. Se antes a IA criava cenas estáticas ou curtas sequências visuais, agora ela começa a gerar ambientes inteiros, dinâmicos, interativos e coerentes.

“Esses modelos não apenas copiam dados, eles compreendem o mundo. Observam como as coisas se movem, interagem e reagem, e com isso passam a reproduzir novas formas de realidade”, explicou o CEO.

O conceito vai além do entretenimento. As aplicações se estendem da robótica à educação, da simulação de cidades ao treinamento de profissionais em ambientes virtuais. Para Valenzuela, estamos às portas de uma transformação comparável à chegada da internet.

Por que isso é importante

Ao simular a realidade com fidelidade e interatividade, os modelos de mundo prometem redefinir a experiência humana com o conhecimento, o aprendizado e a criatividade. Imagine um estudante explorando a Revolução Francesa dentro de um ambiente virtual gerado em tempo real ou um profissional de saúde treinando cirurgias complexas em um cenário digital que responde com precisão física e biológica.

“Nos próximos dois ou três anos, cada experiência digital — de um jogo a uma aula online — poderá ser gerada por um modelo que cria os próprios pixels da cena em tempo real”, afirmou Valenzuela.

Além disso, a promessa é a democratização do acesso à experiência. Mesmo quem não pode pagar por viagens, cursos ou eventos presenciais poderá vivenciar versões simuladas dessas realidades, abrindo novas portas para a educação, o turismo e o consumo cultural.

O que podemos aprender com isso

Para Valenzuela, compreender essa nova fase da IA exige abandonar a visão de que a tecnologia substitui a experiência humana. Ao contrário, ela a amplia. Ele acredita que, assim como a internet transformou nossa relação com a informação, os modelos de mundo na inteligência artificial transformarão nossa forma de experimentar o real.

“Claro que haverá mudanças e desafios, mas cada revolução tecnológica traz também novas formas de viver, criar e interagir. A história mostra que a sociedade se adapta”, disse o fundador da Runway.

Essa perspectiva otimista, contudo, não ignora o debate ético. A curadoria dos dados, a autoria das simulações e a responsabilidade sobre os conteúdos gerados são pontos críticos. Valenzuela reconheceu que empresas como a Runway precisam trabalhar lado a lado com criadores e usuários para garantir segurança e transparência.

Um futuro que já começou

Quando questionado sobre prazos, Valenzuela foi direto: “Eles já estão aqui.” Segundo ele, nos próximos 12 a 18 meses veremos grandes avanços na consistência e na velocidade desses modelos, permitindo que os mundos simulados sejam mais precisos e acessíveis.

Se 2023 e 2024 foram os anos dos LLMs (large language models) e da geração de imagens e vídeos, e 2025 marcou o amadurecimento dos agentes autônomos de IA, 2026 será o ano dos modelos de mundo na inteligência artificial.

Por fim, a previsão encerrou a conversa com um tom de antecipação. O futuro das mídias, do entretenimento e da aprendizagem pode literalmente ser gerado a partir de código — e nós estaremos dentro dele.

Em resumo

O que Cristóbal Valenzuela mostrou no palco do Web Summit Lisboa 2025 não é apenas o próximo passo da IA, mas um novo modo de imaginar o mundo digital: não como uma janela para o real, mas como um espelho interativo dele.