Web Summit Rio 2025 abril 30, 2025
IA & UX: uma revolução silenciosa e constante
No Web Summit Rio 2025, a especialista e educadora em UI/UX Karina Tronkos trouxe uma reflexão poderosa (e necessária) sobre como a inteligência artificial está remodelando a maneira como pensamos, projetamos e entregamos experiências ao usuário.
E, nesta lógica, a tecnologia cumpre seu papel e vai além da ferramenta, ou seja, se torna um parceiro de criação. E isso muda tudo.
Do clique ao comando por intenção
Durante sua palestra, Karina relembrou a evolução das interfaces ao longo das décadas — dos cartões perfurados da era do processamento em lote, passando pelas linhas de comando e interfaces gráficas, até chegarmos ao que ela chama de “terceiro paradigma”: a especificação de resultados baseada em intenção.
Na prática, não é dizer ao computador como fazer. Agora dizemos o que queremos — e a IA encontra seu caminho. Quer uma imagem de um gato astronauta? Você não precisa mais abrir o Photoshop, montar camadas e buscar referências. Basta descrever sua ideia, e a IA gera em segundos.
Mas, claro, isso não significa o fim das interfaces gráficas como conhecemos. Estamos, na verdade, entrando numa fase de coexistência — onde interações por chat, comandos de voz, gestos e cliques convivem com interfaces cada vez mais inteligentes e adaptáveis.
Reinventar o básico: componentes e gestos
O novo contexto também exige um olhar atento para o design mais fundamental. Karina defende ideias simples, mas poderosas: botões maiores, mais espaços em branco, interação fluida por toque, deslize, arraste. E, claro, design responsivo de verdade — aquele que se adapta não só a tamanhos de tela, mas também ao comportamento e contexto do usuário.
Agora, com a IA moldando a experiência, os componentes precisam ser repensados. Estamos desenhando para algo novo, algo que não é mais apenas humano, mas híbrido — uma experiência entre pessoas, máquinas e intenções.
Duas tendências para deixar no radar
Karina destacou duas tendências emergentes que prometem transformar o design de interfaces nos próximos anos:
1. UI Generativa
E se houvesse uma interface que se molda dinamicamente, em tempo real, para cada usuário. Não estamos falando apenas de customização (como a home da Netflix que varia entre usuários), mas de interfaces que nascem do zero, personalizadas a partir de dados, contexto e comportamento.
Sedutor, mas desafiador por conta de três fatores:
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Privacidade e segurança de dados.
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Confiança nos sistemas probabilísticos da IA.
- Padronização da experiência sem abrir mão da personalização.
2. Experiências com agentes autônomos
A segunda tendência é agentes de IA. Diferente dos assistentes atuais — como o ChatGPT, que depende de comandos — os agentes agem por conta própria. Recebem objetivos, traçam planos, tomam decisões e executam ações sem supervisão constante.
Esse avanço leva ao conceito de Agentic UX (a forma como interagimos com agentes) e Agentic Experience (como os próprios agentes vivem e navegam pelas plataformas).
É para designers, fica o to do para casa: como criar experiências pensadas para máquinas, que consomem, aprendem e interagem como usuários?
O papel do designer além das tendências
Não basta incorporar IA — é preciso considerar o nível de letramento digital, o contexto cultural, o grau de familiaridade com as tecnologias emergentes.
A especialista conclui que, certamente, o papel do designer é ser facilitador entre o humano e a máquina, com bases sólidas em técnica, ética e, principalmente, sensibilidade.
