Web Summit Lisboa 2025 novembro 13, 2025
Creators e a nova era do branding

No painel “O criador da nova onda: Como desestabilizar marcas tradicionais”, mediado por Christian Rôças, CEO da Flint, dois dos criadores mais influentes do momento mostraram por que estamos entrando na nova era do branding. Ben “RVBBERDUCK” Doyle e WillNE revelaram como criatividade, comunidade e cultura estão remodelando o impacto das marcas no varejo e no comportamento de consumo.
O case apresentado, o lançamento do Rodd’s Coffee, viralizou ao esgotar em semanas. O sucesso não aconteceu por acaso. Ele provou que creators não funcionam mais como amplificadores de campanha. Eles se tornaram arquitetos de marcas relevantes que movimentam audiência, cultura e vendas.
O que permite que creators superem marcas tradicionais
Creators entendem algo que muitas empresas tradicionais ainda têm dificuldade em aceitar. Comunidade não é audiência. É vínculo. WillNE explicou que sua comunidade não compra apenas um café gelado. Ela compra um capítulo de uma história de 18 meses construída por vídeos, referências internas e rituais coletivos.
Quando a narrativa envolve o público, ela gera identidade compartilhada, lealdade emocional e participação contínua. Isso cria um tipo de “skin in the game” cultural impossível de imitar apenas com mídia. Nesse cenário, o público não apoia a marca. Ele apoia a pessoa por trás dela.
Como criar branded content que não pareça publicidade
O vídeo apresentado no Web Summit, produzido por RVBBERDUCK, mostrou a lógica dos creators. Conteúdo divertido, cinematográfico e alinhado com o humor já existente no canal. RVBBERDUCK explicou que muitas marcas ainda produzem como se estivessem pensando em TV. Elas usam slogans rígidos, roteiros pouco flexíveis e tentam encaixar tudo em 15 segundos. Esse formato mata o conteúdo.
A lógica dos creators segue outra ordem. Conteúdo primeiro, cultura depois e conversão por último. É storytelling, não propaganda. É entretenimento, não interrupção. E funciona porque nasce dentro da comunidade, não como imposição.
Comunidade vem antes do produto
Christian Rôças reforçou uma distinção importante. Marketing e comunidade não são a mesma coisa. A comunidade existe quando há recorrência, identidade, diálogo e participação. WillNE completou dizendo que, quando você aparece apenas para vender, destrói o vínculo criado.
No caso do Rodd’s Coffee, o produto foi a consequência natural de meses de construção coletiva. O público não comprou café. Comprou uma história que ajudou a construir.
Por que creators estão se tornando donos de marcas
Creators têm vantagens que marcas tradicionais não conseguem reproduzir com rapidez. Eles possuem distribuição orgânica, cultura, velocidade e fandom. RVBBERDUCK resumiu o conceito. Marcas trabalham com ciclos de campanha. Criadores trabalham com ciclos de comunidade.
Isso gera vantagens claras. Agilidade criativa, escuta constante, testes em tempo real, baixo custo de mídia e alta aderência cultural. Enquanto marcas tentam parecer creators, creators simplesmente são.
Como marcas podem aprender com creators
Comece com cultura, não com KPIs
A visão criativa precisa vir antes das metas mensais.
Crie recorrência narrativa
Uma marca precisa ter capítulos, não apenas anúncios.
Invista em comunidade antes de vender
O produto deve parecer consequência natural, não estratégia.
Surpreenda com criatividade real
Produções cinematográficas, humor e autenticidade geram valor.
Integre conteúdo, cultura e comércio
Esse é o novo “3 Cs” do branding contemporâneo.
Conclusão
O painel deixou claro que estamos vivendo a nova era do branding. O futuro das marcas pertence a quem entende pessoas, não apenas dados. Marcas tradicionais foram construídas com mídia. As novas estão sendo construídas com comunidade, conteúdo e cultura.
WillNE resumiu perfeitamente. Quando eles compram, não é só pelo produto. É porque querem te ver vencer. E esse é o novo branding. Ele chegou para ficar.





